Rosas Vermelhas

Rosas Vermelhas

Como um bom conto de fadas, este começará assim: era uma vez, um jardim majestoso, logo ali, na Vila da Alegria, no meio da praça da Matriz, onde as tardes eram encantadas por todas aquelas crianças que corriam atrás da bola de meia, comiam algodão doce e lambuzavam-se de sorvetes. Bem ali também em meio ao canto do Bem-Te-Vi e do Sabiá, os casais apaixonados trocavam suas juras de amor.

Era tudo tão mágico e perfeito, impossível não sentir o cheiro da terra quente sendo molhada por gotículas de chuva que teimavam anunciar a chegada da Primavera.

O pé de rosas vermelhas, antes seco e sem vida, ganhava folhas verde escuras e logo vinha brotando do calor de suas entranhas os primeiros botões, colorindo ainda mais a praça da Matriz de Vila da Alegria.

Nesta roseira moravam oito lagartas que passavam os dias a passear pelos galhos e a saborear daquelas folhas recém chegadas. Certa manhã, estavam todas na mesma folha quando foram surpreendidas por um Beija-Flor que veio roubar o mel de uma das Rosas.

A turminha de lagartas não conseguiu esconder o encanto por aquele serzinho de pernas finas, bico comprido e longas asas. O passarinho por sua vez voava de um lado para o outro exibindo sua majestade. Pássaro pequeno que voa longe, de flor em flor beijando o mel e fazendo o acontecer da primavera. Ali surgiu uma amizade fiel e regada de cumplicidades.

Em todas manhãs que seguiram, aqueles amiguinhos arrastavam-se até o topo da roseira à espera do Beija-Flor. Cada dia ele vinha com uma história diferente, de suas aventuras por jardins dos mais diversos lugares.O sonho daquelas lagartas era de voar com ele e conhecer o mundo lá de cima.

Certa manhã o Beija-Flor não conseguiu criar história pra levar até a roseira onde seus amigos fielmente os esperava. Mas, ainda assim, ele foi. Neste dia as próprias lagartas é que ajudaram a imaginar e relatar vivencias e peraltices para o passarinho. Numa dessas, inventaram que o pequeno com asas havia subido aos céus e lhes trazido de presente uma estrela brilhante dentro de um maço de nuvens.

O Beija-Flor, conhecedor da vida, contou aos seus amigos que em poucos dias criariam suas próprias asas e voariam tão alto quanto jamais imaginaram. A princípio riram muito pois parecia piada, ou conto de fadas, onde um ser que se arrasta sobre folhas pudesse um dia voar.

Mas como confiavam no velho amigo, acreditaram que poderia ser verdade.
Assustados e com medo dessa transformação, com medo de não suportarem o peso da asa, cada lagartinha procurou o canto mais escondido da roseira e se cobriram com uma lã fina, porém quentinha, à procura de proteção.

Durante alguns dias o pequeno Beija-Flor não pôde encontrar seus amigos e por isso pôs-se a voar o mais alto que podia em busca de novas histórias e aventuras.

O verão despontava iluminando ainda mais as tardes de lindas floradas que a Primavera havia trazido,  algumas frutas doces já podiam ser saboreadas pelos meninos da praça.

E foi numa destas tardes quentes que o milagre da vida fez um de seus fantástico e fabuloso espetáculo. O silêncio era tamanho que chegava zunir aos ouvido dos amantes do pôr do sol e, minuciosamente foi sendo quebrado por sons inimagináveis.

Aves de todos os tipos gorjeavam e dançavam de galho em galho, Tatus furavam buracos fundos lançando terras por todos os lados. Até a preguiça se movimentava e parecia sentir aquela magia que tomava conto do Jardim.
O Beija-Flor veio de longe assistir em silêncio ao rompimento das sedas e ao primeiro vôo de suas queridas amigas, as borboletas coloridas. 


Meire
28 de novembro de 2012
São Bernardo do Campo

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