Trabalho Remoto - angústia

Estamos há mais de um ano em trabalho remoto. Não posso e não quero romantizar o sofrimento que essa situação nos traz. É um trabalho solitário e extremamente desgastante, um excesso de telas, lives e palestras que acabamos não conseguindo absorver e que vão causando uma irritabilidade enorme. Nosso país lidou, em todas as esferas, da pior maneira possível contra esse vírus que mudou nossas vidas. A educação é apontada o tempo todo como uma vilã, como se nós quiséssemos manter as escolas fechadas durante tanto tempo. Como se o trabalho realizado por nós não fosse de militância desde antes da chegada dessa pandemia.

E enquanto classe também nos perdemos. Não conseguimos construir um caminho de unidade para a superação dos desafios que nos afetam, do micro ao macro. O ministério da educação se absteve, as secretarias estaduais se abstiveram e no município seguimos realizando ações que justifiquem o pagamento do salário dos professores que trabalham dentro de suas casas. O objetivo da educação não é considerado e menos ainda seus agentes.

Estamos fechados em bolhas, apagando focos de pequenos incêndios sem conseguir erguer a cabeça e enxergar qual é o nosso foco e quais são as mãos que devemos segurar. Caminhamos em círculos repetindo bordões that emerge in fashion. O futuro é tão incerto quanto nossas parcerias, quanto o circulo de confiança política e social.

Espero conseguir voltar a acreditar que é possível transformar pela educação, que existem pessoas que estão realmente interessadas em escolher a educação como ferramenta de luta, pessoas que entendam que a educação não cabe dentro da escola. Pessoas que não se vislumbrem pelo discurso conveniente. Sinto falta de sentir o cheiro do suor que a caminhada nos provoca. Não digo isso me referindo apenas ao micro mas em todo a dimensão da educação. Ver esse cenário a que nos submetemos é desolador, ver a escola se transformar numa bolinha verde no meu aparelho celular é entristecedor.


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