Tempos de Distância Social

Quarta-feira, dia 06 de maio, logo pela manhã fui até a escola e a sensação inicial foi de uma inevitável tristeza. Dentro dos muros o tempo parece ter se congelado, o balanço ainda tem o movimento das crianças que ali brincavam. No pátio o som das motocas e os gritos ofegantes dos nossos pequenos. Pude ver ao longo do corredor várias atividades acontecendo e as professoras orientando a rotina através do som das músicas. Lá na frente uma criança caminhava de costas orientando os colegas, copiando a ação da educadora.
No meio de tudo isso uma pessoa da equipe de apoio corre com um balde e um pano nas mãos para limpar um escape de xixi de uma criança na sala de aula, enquanto a professora corre até o lactário para pegar gelos e socorrer uma criança que encostou com força a cabeça na mesa e fez um pequeno hematoma.
Pela rampa vem descendo a turminha dos maiores, ansiosos e saltitantes. A felicidade por saber que chegou a sua vez de brincar no tão sonhado parque. No refeitório alguém virou o prato sobre a mesa pois se desentendeu com o colega e não pode conter a emoção. Enquanto isso uma criança escapa em direção ao corredor em busca de novas aventuras.
Quando toda essa energia me contagiava pude perceber que o tempo havia parado há mais de 40 dias, guardando essas lembranças vivas ali, mantendo a presença de cada pessoa que compõe a família Alzira, esperando com calma e desejando que a tempestade passe e os pássaros possam voltar a voar. Até lá, por aqui, vamos aprendendo a evoluir com o caos, impedindo que ele nos domine.

Trecho do meu diário de bordo da semana 04 a 08 Maio

 


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